O FECHAMENTO DE NEGÓCIOS INTERNACIONAIS DURANTE A PANDEMIA


Eu participo do programa ALI do SEBRAE e a consultora que vem acompanhando meu trabalho antes e durante a pandemia, vendo que minhas vendas aumentaram bastante, me perguntou se poderia usar meus dados como um case de sucesso de um participante do programa durante a pandemia.


Parei para pensar...


Bom, eu trabalho com produtos da área da saúde, alguns dos fabricantes que eu presto serviço vendem produtos essenciais e muito procurados nesse momento, então sim, as vendas cresceram muito.


Mas, trabalhei dia e noite por quase dois meses para atender toda essa demanda, intermediei conflitos, as pessoas nervosas e apressadas. O que estava sob minha responsabilidade para embarcar eu o fiz, o que não, mediei até o final e alguns seguem pendentes.


Os problemas são diversos e não acabam: Novas regulações, leilão de preços, especificações técnicas que não estão claras o suficiente, o comprador que não se atenta ao mar de informações que é enviado, muitos deles estão comprando esses materiais pela primeira vez.


A mudança de cenário constante faz com que fabricantes e importadores tenham que mudar a regra do jogo de uma hora para outra, os preços que estavam na lua começam a cair, ordens de compra que já estavam sendo fabricadas são canceladas, carga presa em fronteira, fronteiras fechadas para o fluxo de pessoas, golpistas em todos os setores, todos os dias é um problema diferente, ou o mesmo problema que segue por semanas sem previsão de solução, e não tem fim.


Fiz o meu melhor, inclusive entrando em conflito com os meus clientes (que são os fabricantes) para tentar proteger os importadores, mas na maioria das vezes não foi o bastante para mantê-los contentes.


Sinto que apesar de ter vendido mais, perdi a confiança de vários importadores. E digo EU perdi, porque a percepção da maioria é que fez negócios comigo e não com os fabricantes. Que claro, também tiveram suas perdas, mas fiz tudo o que estava ao meu alcance para minimizar essas perdas, de todos os lados, e sendo uma intermediária, sinto que escolheram um culpado, e esse culpado sou EU.


Não a pandemia, não os governos que nos forçaram ao limite, não a falta de atenção dos dois lados em enviar informações claras, a culpa é sempre do interlocutor.

Então não me sinto um case de sucesso nessa pandemia porque vendi mais, nenhum número consegue explicar o que tem sido esses últimos meses. Mas me sinto uma vencedora porque vou sair mais forte disso tudo e com muita certeza de onde quero chegar, e com a consciência tranquila de que nada diferente poderia ter sido feito por mim.


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